Meu filho deve tomar a vacina da febre amarela?

Santa Catarina se tornou Área com Recomendação de Vacinação contra a febre amarela no segundo semestre de 2018. Desde então, a importância da imunização contra a doença está sendo reforçada por diversos setores da saúde.

Mas e com as crianças? Quais cuidados especiais devemos ter na hora da prevenção e imunização?

A pediatra da Top Clínicas, Dra. Margareth Mattos de Sá, explica tudo que você precisa saber sobre a vacina da febre amarela em crianças.

 

Mas afinal, o que é a febre amarela?

A febre amarela é uma doença infecciosa viral, transmitida por um mosquito infectado com o vírus da doença.

 

Como ela é transmitida?

Nas regiões de mata, os mosquitos (Aedes aegypti e Haemagogus) picam macacos infectados com a doença. Os mosquitos se contaminam e podem passar aos seres humanos que moram próximo à área de mata. É importante reforçar que os macacos não transmitem a doença, sendo igualmente vítimas dela.

O mosquito Aedes aegypti, comum em diversas cidades brasileiras, pode ser contaminado, armazenar o vírus no seu corpo, e a partir daí picar uma pessoa que nunca esteve em região de mata, espalhando o vírus na cidade.

 

Como prevenir?

Não há medicamento específico contra a febre amarela.

A vacinação é a melhor forma de prevenção – uma dose é suficiente para imunizar por toda a vida. Se for viajar, é importante verificar se o local de destino têm registro de casos da doença.

 

Como é feita a vacina?

A vacina é feita com o vírus vivo atenuado, ou seja, não provoca a doença. O vírus da vacina da febre amarela é cultivado em ovo de galinha, e por isso crianças com alergia grave à proteína do ovo não podem receber a vacina.

A vacina não tem a proteína do leite (lactoalbumina), causadora da alergia. Também não contém o açúcar do leite (lactose), mas sim a sacarose (outro tipo de açúcar). Portanto, não há contraindicação da vacina contra a febre amarela para os pacientes alérgicos a leite.

 

Quem precisa tomar a vacina?

  • Crianças maiores de 9 meses de idade que vivem em área de risco de transmissão da febre amarela;
  • Em uma situação de epidemia, todas as crianças acima de 6 meses de idade devem ser vacinadas;
  • Viajantes que visitam áreas de risco elevado.

 

Quem não deve tomar a vacina?

  • Crianças com menos de 6 meses de vida não podem tomar a vacina em qualquer situação, já que elas não têm o sistema imunológico desenvolvido. A vacina precisa despertar o sistema imunológico para criar defesas contra a doença, e por isso é fundamental que seu sistema de proteção esteja desenvolvido, para que tenha eficácia e não provoque reações graves.
  • Crianças entre 6 e 9 meses, o ideal é não vacinar, pois o sistema imunológico ainda está se desenvolvendo nessa fase. A não ser que a criança more em área de risco de transmissão de febre amarela, um pediatra poderá avaliar se ela pode tomar a vacina.
  • Crianças a partir de 9 meses de vida podem ser vacinadas, período visto como ideal. Seguidos os cuidados especiais e observadas as contraindicações, a criança fica protegida após pelo menos 10 dias da aplicação da vacina. Crianças que já tenham recebido uma dose da vacina já estão protegidas pela vida toda. Quem recebe a dose fracionada fica protegido por pelo menos 8 anos.
  • Gestantes e mulheres em amamentação com bebês menores de 6 meses devem tomar alguns cuidados. É recomendável que elas tomem a vacina se morarem em área de risco ou forem se deslocar para local onde foram registrados casos de febre amarela. Mulheres que estão amamentando menores de 6 meses, caso tenha que tomar a vacina, deve suspender o aleitamento materno por 10 dias após a vacinação.
  • A vacina é contraindicada a quem tem alergia grave à proteína do ovo, com reação anafilática. Quem não apresenta alergia grave pode vacinar.
  • Pessoas com comprometimento do sistema imunológico (pacientes com HIV ou em tratamento oncológico, etc).

 

A vacina pode provocar reação?

Sim, mas é raro. Podem provocar reações mais fortes do que outras vacinas que crianças pequenas costumam tomar. Cerca de 4% delas têm reações como febre, vômitos, dores no corpo e no local da aplicação da dose, que podem ocorrer até 48h após vacinação. O ideal é medicar com analgésicos e levar ao pediatra para avaliação. No grupo pediátrico, os mais afetados são as crianças com deficiência imunológica grave.

 

Após tomar a vacina, quando ficarei protegido?

Após 10 dias da vacinação, 90% das pessoas já produzem anticorpos contra o vírus da febre amarela. Depois de 30 dias, esse número chega a 99% das pessoas. Por isso, é muito importante se proteger contra picadas de mosquito nesse período, enquanto a produção de anticorpos aumenta.

 

Como fica a relação com outras vacinas?

Crianças pequenas precisam tomar uma série de vacinas e isso exige uma atenção especial. Existem outras vacinas produzidas com vírus vivo, como a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) e a tetra viral (sarampo, rubéola, caxumba e varicela). O ideal é esperar 30 dias entre a vacinação contra a febre amarela e as outras de vírus vivo atenuado, pois uma vacina pode cortar a eficácia da outra. Crianças menores de 2 anos não devem tomar a vacina da febre amarela ao mesmo tempo com essas vacinas.

 

Posso vacinar meu filho se ele estiver doente?

Crianças com gripe e febre devem esperar melhorar para tomar a vacina. Isso porque a febre, comum nos quadros gripais, pode ser confundida com uma reação à vacina. Da mesma forma, na gripe o organismo produz substâncias que podem cortar o efeito da vacina e atrapalhar a imunização, não garantindo a proteção. Crianças com sintomas de resfriados leves, como coriza e tosse podem ser vacinadas, porém é melhor que se aguarde a plena recuperação para evitar desconfortos associados.

 

Criança pode usar repelente?

Crianças que não podem tomar a vacina e vivem em áreas de risco devem usar repelentes. 

O ideal é evitar se deslocar para áreas de risco, mas se isso for inevitável, é necessário se proteger contra as picadas dos mosquitos transmissores da febre amarela. Entre as medidas de proteção, pode-se vestir as crianças com roupas de mangas compridas, meias e usar repelentes adequados. Produtos contendo DEET, Icaridina, óleo de eucalipto ou citronela oferecem proteção contra picadas de mosquito.

Os repelentes devem ser usados com cuidado, apenas nas superfícies expostas e nas roupas, evitando aplicar por baixo da roupa, na pele irritada ou com feridas e sobre os olhos ou boca.

Bebês com idade entre seis meses e dois anos só devem usar repelente em condições especiais, quando recomendado pelo pediatra – podem usar a Icaridina, citronela e IR 3535. Os compostos com DEET são contraindicados, pois são muito tóxicos para bebês. Crianças com idade entre 2 anos e 12 anos podem utilizar repelentes com DEET, mas desde que a concentração não ultrapasse 9%.

 

Dra. Margareth Mattos de Sá

Pediatra e Master Coach

CRM 7514 | RQE 8305

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